Meu grito
Marillena Salete Ribeiro
Vou deixar
claro...
Sou aquela mulher que acham
forte, rocha, tronco e ferro
Com
esta aparência forte todos pensam
que posso ser espancada e ferida
Que
agüento tudo sem me ferir
Meu grito hoje é ardido e sofrido
Estou aqui
para gritar ou berrar
Sou frágil, sou gente, sou de carne e osso
Por todos
faço tudo, ate o que não posso
Me respeitem, por favor!
Tratem-me como
gente, mereço!
Tenho o direito de errar e acertar
Cair, tombar e
levantar
Cansei de ser escora, âncora
Enxerguem minhas lágrimas
Sou
aquela que seca lágrimas de todos
e quando meu pranto cai...estou só
Pois,
sou forte, rocha, tronco e ferro
Sou humana sim, cansei, cansei!
Me
deixem na escuridão por ora
Antes que a dor bata mais forte
E ascos da
vida na minha cara arrote
Agora, preciso minha vida rever
Quero comigo
sozinha ficar
Quero sentir a mágoa, chorar,
lamentar, uivar, berrar e
gritar
Quero odiar, xingar e espernear
Quero ser
negligente, fraca
covarde, vadia e preguiçosa
Esta cruz não aguento mais
carregar
Se alguém conseguir me olhar
Verá como
sou, enxergar-me-á
Saiba, estou gritando que
não sou, nunca fui e jamais
seres
Forte, rocha, tronco e ferro
Esqueça que um dia me viu
assim
Preciso ser fênix agora
Das cinzas renascer e recomeçar
do jeito
que só eu posso ser
Cansada de ouvir:
"Você é a mais forte, corajosa "
Nem posso meus dentes ranger
Nada e
ninguém para me proteger
Ninguém se importa com minhas dores
Vago sozinha
na vida pelos corredores
Vou arrancar a unha e dente
esta minha face dura
e forte
Meus retratos todos queimarei
Na minha sombra
pisotearei
Aqui é o meu inferno
Agora, quero o paraíso
perdido
Abrirei minhas asas e voarei
Não me pergunte o trajeto, não
sei
Sei apenas que, sempre me encolhi
Essa fortaleza que sou,
cansei
Quero o toque macio da vida e do destino
Não me anularei para
não magoar
Enquanto pisam nos meus sentimentos
Tudo que aprendi foi:
Não guarde mágoa, perdoe sempre,
Seja sempre boa e compreenda
E
enquanto boa, compreensiva
caí e na mágoa dos outros me atolei,
No abuso
de muitos tropecei
Fui ferida, ofendida e traída
Rasgo a vida ao meio
e grito
Deixem-me em paz, por favor!
Me deixem do meu jeito viver
Quero
escolher minha estrada
Estou sufocada e profundamente triste,
sempre fui
eu, a que sempre socorre,
a escora e nunca estão satisfeitos,
felizes
tudo porque querem que seja sempre
Forte, rocha, tronco e
ferro
Antes deste dia acabar
Vou mudar o rumo da prosa comigo
Vou
me doar para quem me respeitar
como gente, humana e imperfeita
E quem não
me entender
que pegue sua mochila e vá se...
Mil vezes morri e sozinha
ressuscitei
Chorei e sozinha o fel da vida engoli
assim, expelindo todo
fel engolido
Preciso como gente normal viver
E nem de mim quero me
esconder
Temo que para ser normal
precise ser falsa, hipócrita e
cretina
Se assim for estou fora, sozinha ficarei
Os meus sonhos sabem,
sentem
onde termina minha estrada
Vou afrouxar o cinto da vida
sabendo
que não sou, não serei mais
Forte, rocha, tronco e ferro
Antes que eu
perca meu sentido
Estou mudando para sempre
Aqui jaz uma boazinha
idiota
E há de renascer uma nova mulher
serena, tranquila,
normal
Porém...
Forte, rocha, tronco e ferro
Para todos baterem e
abusarem
Nunca mais! Nunca mais!
Videira-Santa Catarina
Este
texto encontra-se protegido pela Lei Brasileira nº 9.610,de 1998, por
leis e
tratados internacionais. Direitos autorais

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